quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Mustafa Barghouti: "Não quero criar ilusões sobre Obama"

21-Jan-2009

Nesta entrevista ao jornal egípcio Al-Ahram, dada antes do início da trégua em Gaza, o secretário-geral da Iniciativa Nacional Palestiniana, Mustafa Barghouti, duvida que Obama rompa com o lóbi judeu e observa que a administração Bush fez tudo para que o novo presidente se veja incapaz de operar mudanças na política americana em relação ao Médio Oriente. Barghouti defende um governo de unidade nacional e a realização de eleições em todos os territórios palestinianos ocupados


Como qualifica o ataque militar sem precedentes infligido por Israel contra a Faixa de Gaza?

O que se passa em Gaza pode ser um verdadeiro genocídio contra o nosso povo, um acto selvagem, bárbaro que vai contra todas as leis internacionais. Israel é uma força de ocupação de Gaza, que está a aniquilar a população com os ataques aéreos. Gaza, o território que tem a maior densidade populacional do mundo, é vítima dos ataques aéreos e terrestres israelitas enquanto estiver sob sua ocupação.
O número de mártires e de feridos é o mais elevado desde 1967. Perante a opinião pública internacional, Israel alega que pretende apenas atacar os elementos do Hamas. Declarou mesmo ter uma tecnologia que lhe permite realizar operações quase "cirúrgicas" sobre o terreno.


O Estado judaico diz, no entanto, que têm como único objectivo destruir o Hamas...

Todas as alegações de Israel não são mais do que mentiras. Na verdade, a guerra não é dirigida contra o Hamas, mas antes contra todo o povo Palestiniano. O real objectivo dos israelitas é quebrar a vontade palestiniana, rebaixá-la e obrigar os palestinianos a aceitar um regime injusto, impedindo, por exemplo, o direito de ter Jerusalém como capital, ou a recusa do direito de regresso dos refugiados. Os israelitas querem obrigar os palestinianos a aceitar o regulamento que eles tentaram impor na conferência de Annapolis (Novembro de 2007), mas que fracassou. O que está a acontecer neste momento é muito perigoso, porque, atacando de forma tão feroz o nosso povo, Israel quer destruir a vontade e a resistência dos palestinianos e impor-nos as suas próprias regras pela força. Na verdade, Israel não ataca apenas o Hamas. Tem como principal alvo a democracia palestiniana. É muito claro: os ataques israelitas destruíram a sede do Parlamento Palestiniano e o Estado judeu prendeu 45 dos nossos parlamentares. Os israelitas atacaram o Governo de Unidade Nacional, que representava 95% dos eleitores palestinianos e contribuíram fortemente para o colapso do mesmo. E quando isso ocorreu, começaram a propagandear a ideia de que os palestinianos eram responsáveis pelas suas divisões internas. Tudo isto não passa de um jogo cujo objectivo é quebrar a vontade política palestiniana e o compromisso do nosso povo para com o seu legítimo direito de resistência. Outra mentira que Israel tenta fazer passar nos média dos Estados-Unidos e europeus, é a de que a trégua foi quebrada pelo Hamas, quando, na realidade, foi Israel que a quebrou, no passado mês de Novembro, um mês antes destes atentados. A terceira mentira que Israel tenta propagar é a de que os israelitas são as "vítimas" e os palestinianos os "invasores". No entanto, verificamos que do lado deles, tiveram apenas uma única vítima, enquanto o lado palestiniano, perdemos mais de 500 mártires, até ao passado domingo. Os observadores são unânimes em explicar os ataques israelitas contra o povo de Gaza com base nas eleições em Israel. Tzipi Livni e o partido Kadima não querem parecer fracos relativamente aos seus opositores da linha dura do Likud ou do Partido Trabalhista.


Quais são as diferenças entre os três candidatos nas próximas eleições israelitas? Poderia imaginar um cenário particular para cada candidato?

Não há nenhuma diferença entre eles. Tanto Livni como Netanyahu e Ehud Olmert, são todos originários do Likud. Quanto a Barak, não fica a dever nada aos outros em termos de ferocidade e racismo. O que é triste é que Israel tornou-se, na sua totalidade, uma nação racista no sentido próprio do termo. Criaram um sistema de apartheid e de barreiras racistas. Não querem que um único palestino possa erguer a cabeça. Pouco importa quem vai ganhar as eleições, se não há nenhuma diferença na sua atitude em relação aos palestinianos. Adoptam e seguem todos a mesma visão política sionista que rejeita a existência de um Estado palestiniano independente, que Jerusalém seja a capital da Palestina e que o direito de regresso dos refugiados se realize. Livni disse que nenhum refugiado seria aceite por Israel. Então, que diferença existe entre ela e Netanyahu? Esta guerra é feita apenas para que cada um deles possa mostrar os seus músculos e o preço disso é o sangue dos palestinianos. E o pior de tudo é que, apesar de toda a ferocidade demonstrada pelo governo de Israel contra os palestinianos, o Likud nas sondagens está cada vez mais reforçado.


O que acha da estratégia do Hamas, na sua gestão da resistência armada? Será que houve um erro estratégico ou de cálculo da parte deste ao atirar rockets contra o sul de Israel?

Não houve, de todo, erros cometidos pelo Hamas. Até Novembro passado, o Hamas tinha parado de disparar rockets, e impediu mesmo qualquer tipo de ataque a partir de Gaza. Quem quebrou a trégua foi Israel. Os israelitas entraram, atacaram e abateram seis palestinianos. Foi quando os rockets começaram a ser lançados a partir de Gaza. Na realidade, o Hamas defendeu-se, atirando sobre Israel. E todos sabemos que os rockets não têm uma significativa capacidade de destruição. Mas tratou-se de uma forma simbólica de defesa contra os ataques das forças de ocupação. Não podemos culpar a vítima, quando os verdadeiros culpados são os israelitas. Tudo isto foi cuidadosamente planeado. Nos últimos meses, podíamos ler nos jornais israelitas que Israel necessitava de alguns meses de acalmia, a fim de preparar o seu exército para um ataque maior. E isso é exactamente o que está a acontecer agora.


Existe hoje alguma possibilidade para restabelecer a reconciliação palestiniana?

O único caminho coerente a seguir, na minha opinião, é a reconstituição de uma administração política unificada na Palestina, e a formação de um governo de unidade nacional. De seguida, deveremos ter eleições nas quais participem representantes de todas as tendências palestinianas, sem excepção ou discriminação. Estas eleições deverão ser credíveis e transparentes, e ter lugar no conjunto dos territórios ocupados. E, finalmente, é absolutamente necessário que haja a garantia de aceitação incondicional dos resultados destas.


Acha que a eleição de Barack Obama nos Estados Unidos irá mudar a posição de Washington face ao conflito israelo-palestiniano?

Obviamente, temos esperança de uma mudança na política externa americana, mas não quero criar ilusões. Esperamos que o Presidente Obama tenha, pelo menos, uma melhor compreensão da situação nesta região. Contrariamente a George W. Bush, o presidente Obama é suposto ser mais sensível às causas justas como é o caso da nossa. Mas a pergunta que nós colocamos é a seguinte: será que ele pode enfrentar o lóbi israelita nos Estados Unidos? Aguardamos para ver como ele irá agir. Mas o que agora notamos é que a administração Bush fez tudo até ao último momento, para que quando chegar, o presidente Obama encontre uma situação insustentável e se veja incapaz de operar mudanças na política americana em relação a esta região. A administração Bush, juntamente com Israel, está a construir três muros que Obama dificilmente poderá transpor e ter influências positivas sobre o conflito. O primeiro destes muros é o dos compromissos assumidos por Bush face a Israel, onde ele reduziu, através de uma resolução do Conselho de Segurança, o processo de paz de Annapolis. A segunda muralha, ou barreira para o futuro de Obama, é a luz verde dada pela administração Bush a este massacre dos palestinianos. E o terceiro ponto, que é o mais importante, é que através da tensão produzida por esta confrontação e este massacre, ela tenta destruir o plano anunciado por Obama de iniciar um diálogo com a Síria, o Irão e todas as forças da região.


* Esta entrevista foi conduzida por Randa Achmawi e publicada no semanário Al-Ahram (Cairo). Mustafa Barghouti é Secretário-geral da Iniciativa Nacional Palestiniana, uma formação que se coloca como alternativa em relação às facções existentes.

12 Janeiro de 2009

Fonte: http://www.esquerda.net/
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O Dr. Mustafa Barghouthi (Mustafa Kamil Mustafa Barghuthi). Médico e activista político, avogado para o desenvolvemento da sociedade civil palestina e a democracia de base, portavoz internacional de organizacións non gobernamentais para o sector de Palestina, e organizador da solidariedade internacional presenza no territorio palestino ocupado. Escribe amplamente para un público local e internacional sobre a sociedade civil, a democracia e a situación política en Palestina, sobre a saúde e a política de desenvolvemento para os palestinos que viven baixo a ocupación.

http://www.almubadara.org/new/english.php
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Documentario "Ocupación 101": A ocupación de Palestina

Documentario "Ocupación 101": A ocupación de Palestina, lexendado en Portugués -duración: 1 hora 27 minutos-


Título orixinal: Occupation 101

Directores: Sufyan Omeish e Abdallah Omeish
[Trip’Ol’11 Productions, 2006]

Sitio oficial da película:
http://www.occupation101.com

Synopsis: "Ocupación 101" presenta unha análise sistemática dos feitos e das verdades escondidas que roden o conflito Israelo-Palestino, e devela moitos dos mitos e concepcións erróneas aumidos por longo tempo. A película tamén detalla a vida baixo o réxime militar israelí, o papel de EEUU no conflito e os principais obstáculos que impiden unha paz duradeira e viable.

Inclúe filmaciones raramente vistas e testemuños nunca mostrados na maioría dos medios de EEUU. As raíces do conflito son explicadas por medio de comentarios que incitan á reflexión, por parte de académicos especializados no medio oriente, activistas pacifistas, xornalistas, líderes relixiosos e traballadores humanitarios, cuxas voces foron suprimidas demasiado frecuentemente dos medios de EEUU.

A diferenza de todas as películas que foron producidas sobre o conflito, "Ocupación 101" explica a situación de xeito sistemático e ofrécelle á audiencia o contexto completo para mellor entender o encontro Israelo-Palestino. A película mostra as causas esenciais do conflito a través de voces israelís, xudías, cristiás, musulmáns, estadounidenses, e palestinas que de cando en cando son escoitadas a través dos medios de comunicación hegemónicos.

A película cobre un amplo rango de tópicos, que inclúen a primeira onda de inmigrantes xudeus desde Europa nos anos 1880, as tensións da década de 1920, a guerra de 1948, a guerra de 1967, a primeira Intifada de 1987, o proceso de paz de Oslo, a expansión dos asentamentos, o papel do goberno dos EEUU, a segunda Intifada de 2000, e tamén cobre a recente "desconexión" de Gaza de agosto de 2005.

Premios: Gañador do Premio 2006 Artivist á mellor película baixo a categoría de dereitos humanos. Gañador do premio á mellor película no River?s Edge Filme Festival. Gañador do Premio ao Mellor Documental do The deadCenter Filme Festival. Gañador do Premio da Audiencia ao mellor documenta no East Lansing Filme Festival. Gañador do Premio John Michaels Memorial no Big Muddy Filme Festival.

Festivais: 2006 Big Muddy Filme Festival. 2006 East Lansing Filme Festival. The 2006 deadCenter Filme Festival - Oklahoma City, OK. 2006 Boston International Filme Festival. 2006 River's Edge Filme Festival - Paducah, KY. The 2006 Arab Filme Festival - San Francisco, Berkeley, San Jose. 2006 Harlem International Filme Festival. 2006 Vermont International Filme Festival. 2006 Artivist Filme Festival and Awards - Hollywood, California.

Para ver a película completa en inglés:
Clicar aquí

Para baixar a película completa e os subtítulos en español, con emule:
Clicar aquí

Para máis información:

http://www.occupation101.com/

http://en.wikipedia.org/wiki/Occupation_101

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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Unha visión, desde "Tempos Novos", da agresión sionista ao Pobo Palestino da Franxa de Gaza

Desde este sítio na rede, do Colectivo Ártabra 21, queremos dedicar un espazo a un medio galego de información na rede, "Tempos Dixital" que é o formato en internet da revista decana en formato papel "Tempos Novos", unha publicación mensal de reflexión, información e debate, comprometida coa Galiza e o Mundo. Face-mo-lo publicando os enlaces aos seus artigos sobre o conflito israelí - palestino, concretizado hoxe no masacre sionista ao pobo palestino da Franxa de Gaza.

O conflito en Gaza semella que non vai rematar en pouco tempo


O conflito de Oriente Medio é, sen ningunha dúbida, o asunto de política internacional máis recurrente da historia actual. É un conflito que se vén desenvolvendo dende fai moito tempo e, ademais, ten unha certa compoñente simbólica. Tanto é así, que semella que cada bando ten unha determinada cor política. O verdadeiramente importante é que o problema remate. Porén, pese aos esforzos de Estados coma o español, a situación semella que non vai mudar moito. Con todo, non podemos deixar de preguntarnos se poderá ter solución o problema. Sentaranse, ao final, Israel e Palestina a dialogar?

Imaxe
[Imaxe histórica do conflito palestino-israelí]

Un artigo de Jesús A. Valero Matas. Universidade de Valladolid
Un artigo de Moncho Iglesias Míguez
Un artigo de María Xosé Queizán
Un artigo de Camilo Nogueira
Un artigo de Julio César Fernández Mato. Secretario Xeral de Relacións Exteriores
Un artigo de Fernando Pérez-Barreiro Nolla
Un artigo de Xulio Ríos. Director do IGADI
Un artigo de Boaventura de Sousa Santos. Universidade de Coimbra e Wisconsin
Un artigo de Miguel-Anxo Murado
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Vida para Palestina
VIDA para Palestina from POLBOGRAPHIX on Vimeo

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http://www.temposdixital.com
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Operación chumbo impune

Operación chumbo impune
Para xustificarse, o terrorismo de Estado fabrica terroristas: sementa odio e cultiva coartadas
16 de Xaneiro de 2009

[Os palestinos perderon a súa patria, as súas terras, a súa auga, a súa liberdade, a súa todo. Nin sequera teñen dereito a elixir os seus gobernantes. - Eduardo Galeano-]

Todo indica que esta carnicería de Gaza, que segundo os seus autores quere acabar cos terroristas, logrará multiplicalos. Desde 1948, os palestinos viven condenados a humillación perpetua. Non poden nin respirar sen permiso. Perderon a súa patria, as súas terras, a súa auga, a súa liberdade, o seu todo. Nin sequera teñen dereito a elixir os seus gobernantes.

Cando votan a quen non deben votar, son castigados. Gaza está sendo castigada. Converteuse nunha rateira sen saída, desde que Hamas gañou limpamente as eleccións, no ano 2006. Algo parecido ocorrera en 1932, cando o Partido Comunista triunfou nas eleccións do Salvador.

Bañados en sangue, os salvadoreños expiaron a súa mala conduta e desde entón viviron sometidos a ditaduras militares. A democracia é un luxo que non todos merecen.

[...]

Son fillos da impotencia os foguetes caseiros que os militantes de Hamas, acurralados en Gaza, disparan con chambona puntería sobre as terras que foran palestinas e que a ocupación israelita usurpou. E a desesperación, á beira da tolemia suicida, é a nai das bravatas que negan o dereito á existencia de Israel, berros sen ningunha eficacia, mentres a moi eficaz guerra de exterminio está negando, desde fai anos, o dereito á existencia de Palestina.
Xa pouca Palestina queda. Paso a paso, Israel estaa borrando do mapa.

Os colonos invaden, e tras eles os soldados van corrixindo a fronteira. As balas sacralizan o refugallo, en lexítima defensa.

Non hai guerra agresiva que non diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu Polonia para evitar que Polonia invadise Alemaña.

Bush invadiu Iraq para evitar que Iraq invadise o mundo. En cada unha das súas guerras defensivas, Israel tragouse outro pedazo de Palestina, e os xantares seguen. A devoración xustifícase polos títulos de propiedade que a Biblia outorgou, polos dous mil anos de persecución que o pobo xudeu sufriu, e polo pánico que xeran os palestinos á espreita.

[...]

Israel é o país que xamais cumpre as recomendacións nin as resolucións das Nacións Unidas, o que nunca acata as sentenzas dos tribunais internacionais, o que se burla das leis internacionais, e é tamén o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.

Quen lle regalou o dereito de negar todos os dereitos? De onde vén a impunidade con que Israel está executando a matanza de Gaza? O goberno español non puidese bombardear impunemente ao País Vasco para acabar con eta, nin o goberno británico puidese arrasar Irlanda para liquidar ao ira.

Seica a traxedia do Holocausto implica unha póliza de eterna impunidade? Ou esa luz verde provén da potencia mandamás que ten en Israel ao máis incondicional dos seus vasallos?

[...]

O exército israelí, o máis moderno e sofisticado do mundo, sabe a quen mata. Non mata por erro. Mata por horror. As vítimas civís chámanse danos colaterais, segundo o dicionario doutras guerras imperiais.

En Gaza, de cada dez danos colaterais, tres son nenos. E suman miles os mutilados, vítimas da tecnoloxía do descuartizamiento humano, que a industria militar está ensaiando exitosamente nesta operación de limpeza étnica.

E como sempre, sempre o mesmo: en Gaza, cen a un. Por cada cen palestinos mortos, un israelí.

Xente perigosa, advirte o outro bombardeo, a cargo dos medios masivos de manipulación, que nos invitan a crer que unha vida israelí vale tanto como cen vidas palestinas. E eses medios tamén nos invitan a crer que son humanitarias as duascentas bombas atómicas de Israel, e que unha potencia nuclear chamada Irán foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.

[...]

A chamada comunidade internacional, existe?

É algo máis que un club de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo máis que o nome artístico que Estados Unidos ponse cando fai teatro?

Ante a traxedia de Gaza, a hipocrisía mundial lócese unha vez máis. Como sempre, a indiferenza, os discursos baleiros, as declaracións ocas, as declamaciones altisonantes, as posturas ambiguas renden tributo á sacra impunidade.

Ante a traxedia de Gaza, os países árabes lávanse as mans. Como sempre. E como sempre, os países europeos freganse as mans.

A vella Europa, tan capaz de beleza e de perversidad, derrama algunha que outra bágoa, mentres secretamente celebra esta xogada mestra. Porque a cacería de xudeus foi sempre un costume europeo, pero desde fai medio século esa débeda histórica está sendo cobrada aos palestinos, que tamén son semitas e que nunca foron, nin son, antisemitas.

Eles están pagando, en sangue contante e sonante, unha conta allea.

[Este artigo está dedicado aos meus amigos xudeus asasinados polas ditaduras latinoamericanas que Israel asesorou]

16/01/2009- Autor: Eduardo Galeano - Fonte: Brecha
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